segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Ai que medo

Eu tenho certeza (não é pressentimento) de que algo ruim vai acontecer durante meu vôo. Essa noite eu sonhei que o avião caía sobre os Alpes Suíços (não sei se passa por ali, mas ele pode fazer um desvio, oras), e aí, dentre todas as pessoas do vôo, eu, cuja dimensão do quadril é superior, fui escolhida para alimentar o restante dos passageiros. Assim, até que o socorro chegasse, toda a superfície carnosa do meu quadril salvaria muitas vidas. Isso seria divulgado em rede nacional, meus pais ficariam orgulhosos da missão de sua filha, e eu morreria por uma causa, não tão justa assim, porque no meu sonho, o socorro viria no dia seguinte, e ninguém morreria de fome.
A segunda opção é de que um muçulmano com nome estranho sente ao meu lado. Ele tem um turbante sob a cabeça, uma barba cerrada, e veste uma roupa cheia de explosivos. Ele vai me obrigar a ficar ao seu lado, enquanto grita para o restante dos passageiros. As aeromoças nervosas não vão entender direito, já que só falam espanhol. Mas elas vão agradecer que ao menos o muçulmano escolheu uma “latina” como refém. Ele vai gritar, não vai ser entendido, e vai roubar meu Ipod, o meu bem mais valioso. Ele não vai gostar da minha seleção musical, e vai explodir todo o avião. Todas as pessoas morrerão, e os corpos serão procurados por vários labradores, tal qual a minha Julie.
Também é possível que o aeroporto de Madrid sofra um atentado. Em algum momento em que eu estiver lá, sentada, durante as três horas que sou obrigada a aguardar pela conexão que me levará a Bruxelas, algum terminal será alvo de explosivos. As pessoas gritarão, e tentarão fugir (sem saber de onde), sem braços, pernas e olhos. Talvez eu também perca algo, quem sabe?
A última hipótese é o extravio das minhas malas, e das minhas roupas que há tempos não uso, as minhas parcas roupas de inverno. As malas serão extraviadas, e a Ibéria não vai me reembolsar tão cedo. Vou passar um bom tempo só com a roupa do corpo, esperando pelo primeiro pagamento para comprar algo. Não vou poder pagar meus empréstimos que fiz para a compra da passagem, vou ser registrada no Serasa, e um cobrador vai bater à bota da minha casa para cobrar a dívida. Meus pais ficarão horrorizados com a incapacidade da sua filha em administrar suas próprias finanças.

Talvez viajar seja algo rotineiro, comum e previsível para a maior parte das pessoas. Pra mim não é. Eu só fui até São Paulo, e estou com muito medo dessa viagem, de passar 11 horas dentro de um avião. Esse medo me dá a certeza de que algo ruim vai acontecer. Espero que dentre tantas opções, seja o extravio de malas.

Um comentário:

Fernanda von Holleben disse...

Deizoka...
Meu..tu é vidente por acaso???
Bom, depois que li o que escreveu nesse post, e lembrando de ontem que vc me contou o que aconteceu no aeroporto é a única coisa que posso achar!!!Ainda mais pq temos outras histórias que vc ja tinha me contado e aconteceram...aiaiai que medo!!!
Mas ainda bem que nada aconteceu...nem suas malas, nem seu ipod, nem terroristas...NADA!!!Só evacuar...ainda bem!!!
Que bom que tu ta bem...e ta adorando aí!!!
Aproveita que logo, logo to chegando!!!!
Beijo!
Fer