Aqueles que como eu, moram longe de suas famílias, conhecem os "ataques de nostalgia". O motivo desencadeador nem sempre é o mesmo, depende da nossa sensibilidade no momento. Agora, por exemplo, eu estou chorando, tudo porque vi uma foto da nova namorada do meu irmao com a minha cachorra labradora, a Julie. A Julie está parada, com a língua para fora, e mais gordinha. Ela nao pára, nao no tempo em que eu vivia lá, na mesma casa. E ela tampouco estava com essa forma. Ora, ora, eu esqueco que estou há mais de um ano fora, e que em um ano muitas coisas acontecem, (in)felizmente. A Julie foi adestrada, e hoje, pode tirar fotos sentada. Hoje ela já tem três anos, ou seja, 21 anos, na idade canina. Será que ela lembrará de mim, será que ela vai abanar o rabo, se jogar contra meu corpo e se mijar quando nos reencontramos, em dezembro deste ano? Será que minha mae vai me amar ainda, mesmo depois de tanto tempo distante, será que vou ter assunto e a paciência para conversar com meu pai e ouvir suas mijadas e seus "conselhos" sobre o que eu devo fazer? Nossa, quanta pergunta, nenhuma sem resposta. Eu morro de medo de voltar, de olhar os olhos verdes da minha mae, de ouvir os gritos do meu pai, de presenciar a indiferenca e distanciamento da minha irma. Eu morro de medo de dizer que eu ainda nao sei o que fazer da minha vida, e que continuo perdida, mesmo estando prestes a completar 27 anos. Eu nao sei o que vou conversar e relatar quando rever minhas amigas, porque nenhum relato vai ser digno da realidade, tudo vai soar pequeno e incomprensível. Nao sei como vou reagir ao assistir novelas novamente, com a cabeca deitada sob o colo da minha mae. Nao sei, nao sei, nao sei, e já estamos quase em abril. Logo logo estou no Brasil, despedindo-me dos meus colegas de trabalho espanhois, nepalis, paquistaneses, hungaros, colombianos, minha chefe do Iraque, e dos clientes que sao de toda parte. Logo logo nao vou ver o Mediterraneo quando sair do meu apto, e tampouco tao próximo de um castelo. Confesso que eu temo o futuro e suas novas vertentes, que se apresentam todos os dias na minha vida. Eu odeio despedidas, eu choro desde já por saber que essa fase vai acabar, e que eu nao vou saber em que fase estou quando chegar ao Brasil. Acho que ninguém me entende mesmo.
domingo, 23 de março de 2008
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