A pessoa mais especial que conheci até então aqui na Bélgica chama-se Ebru; e ela é de nacionalidade turca. Somos colegas no curso de frances; e nos tornamos muito amigas. Eu quero manter essa amizade até o resto da minha vida; pois Ebru é realmente especial; e essa convivencia me fez – e faz - amadurecer muito. Hoje eu percebo que até mesmo o meu conceito de amizade foi revisto. Eu tenho poucos amigos verdadeiros; mas com estes; eu partilhava os mesmos pensamentos, idéias e atitudes. E geralmente, quando nos encontravamos, era pra desabafar; aconselhar; repartir. Era sempre assim; depois de muito ouvir; se dava conselhos; geralmente dizendo coisas que a outra pessoa já sabia; mas não colocava em prática. O principal é que as idéias eram sempre convergentes; e a amizade; o desabafo; a choradeira, tinham como intuito fazer com o outro se sentisse aliviado ao saber que outra pessoa possui os mesmos conceitos. Bem; só quero dizer que esse conceito mudou para mim. A minha amiga Ebru sempre me mostra outro angulo da mesma situacao; e nunca; mas nunca aceita minhas lagrimas como justificativa. É a primeira vez que tenho uma amizade assim; que me faz refletir; e não apenas acatar minhas idéias. É a primeira vez que me questiono. Eu adoro minha amiga Ebru; e sinceramente; ela foi um dos melhores acontecimentos na minha vida, pois ela realmente me fez mudar. E como é bom mudar; como é bom transcender. Fico feliz em saber que a conheci; e que se eu não tivesse viajado; jamais teriamos cruzado o mesmo caminho; duas cidadãs tão diferentes; living abroad in the same country, como falamos em nosso parco inglês. Sei que ela nunca lerá esse blog; e tampouco entenderia; mas eu precisava escrever isso. E que venha Istambul em julho!
sábado, 21 de abril de 2007
sexta-feira, 13 de abril de 2007
Percepcões
Aos poucos eu percebo que o abandono da minha casa, da minha família, da minha vida e referências simboliza também o abandono de muito do que eu fui e do que eu representei nestes 25 anos. Eu não sei o porquê estou escrevendo neste blog, pois desde que cheguei, prefiro guardar para mim mesma meus sentimentos. Mas eu preciso escrever, eu preciso desabafar, mesmo – e preferindo – que ninguém o leia. Eu sabia que mudaria em decorrência dessa viagem, mas nunca pensei que fosse tanto, como em doses concentradas, como nestes quase dois meses. Eu jamais estaria pensando, analisando, comparando tudo à minha volta como agora, se continuasse no Brasil, na minha rotina renegada. Já me questionei tantas vezes sobre os meus motivos e objetivos para estar aqui, e nem mesmo sei a resposta até agora. Isso me angustia. Eu sou ansiosa, e sempre agi sob pressão. Mas essa é a minha vida, e as decisões não devem ser rápidas, e sim, certeiras. Pela primeira vez em minha vida, me sinto com 25 anos, sozinha e independente.
E confesso, eu amo essa sensação. Hoje eu percebo que poderia ser mais madura no auge dessa idade, mas não o sou. Mas eu tenho certeza de que essa experiência me fará mudar o suficiente, e que depois deste um ano, ou o período que for, eu me orgulharei por tudo o que isso representa. Eu faria tudo novamente, milhares de vezes. Eu lembro de cada crise de choro em frente ao lago ou castelo, cada desaforo em que não soube me defender, cada vez em que eu vivenciei algo que pensava ser impossível. Cada lugar visitado em que apenas eu sabia o nome pelas aulas de história. Cada ocasião em que me senti tão sozinha a ponto de querer voltar, para apenas abraçar a minha mãe, e voltar à segurança do meu lar. Mas não, eu continuo. Ainda tenho muito a percorrer, conhecer, aprender, analisar. E eu sei que vai valer a pena.
E confesso, eu amo essa sensação. Hoje eu percebo que poderia ser mais madura no auge dessa idade, mas não o sou. Mas eu tenho certeza de que essa experiência me fará mudar o suficiente, e que depois deste um ano, ou o período que for, eu me orgulharei por tudo o que isso representa. Eu faria tudo novamente, milhares de vezes. Eu lembro de cada crise de choro em frente ao lago ou castelo, cada desaforo em que não soube me defender, cada vez em que eu vivenciei algo que pensava ser impossível. Cada lugar visitado em que apenas eu sabia o nome pelas aulas de história. Cada ocasião em que me senti tão sozinha a ponto de querer voltar, para apenas abraçar a minha mãe, e voltar à segurança do meu lar. Mas não, eu continuo. Ainda tenho muito a percorrer, conhecer, aprender, analisar. E eu sei que vai valer a pena.
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